Há ocasiões, na sucessão dos momentos do cotidiano, em que a própria vida se faz canção. Indescritíveis horas de graça em que o infinito se debruça sobre a frágil argila humana.
Um silêncio, uma palavra. A poesia do sol nascente ou a nostalgia do entardecer. Um pensamento oportuno. Um salmo litúrgico. Uma prece.
Uma carta que nos chega, um telefonema que recebemos. As asas de uma borboleta, o sorriso de uma criança, a serenidade de um adulto, a paciência de um ancião cruvado pela idade.
A frase de um livro, a mensagem de um cartaz, as notas suaves de uma canção-ternura ferindo nossa sensibilidade, acordando felizes vivências de outrora.
A linguagem das flores, o canto dos pássaros, o verde-azul do oceano, a chuva suave tamborilando poemas na vidraça das janelas. Coisas pequenas que trazem mensagens tão grandes! Acontecimentos miúdos que falam tão alto, tocam tão fundo! Coisas que quase nada que sintetizam o mistério de quase tudo.
Indescritíveis-singelos-momentos colocando dentro de nós um pouco de céu, de verde, de azul. O verde da esperança. O azul do entusiasmo. Uma nesga de eternidade.
Há momentos, na vida em que a própria vida se faz poema, canção. Mas é preciso estar atento, sem pressa. Porque o essencial não tem horário certo, agenda programada.
Para captar o mistério, o fluxo e refluxo do cotidiano, é preciso estar atento, disponível, naquela expectativa de quem aguarda a mais querida das visitas.
No misterioso reino do amor, nada é pequeno, insignificante, nem mesmo uma flor.
Mas, para entender seu recado, é preciso ser humilde, despojado, bebendo as mensagens sem pressa, com muito vagar.
Em clima de silêncio, vulnerabilidade, emoção.
De joelhos, como quem reza, emocionado, junto ao sacrário, diante do altar.
Este é um blog com poemas, poesias, piadas, dicas de beleza e alimentação, orações e textos católicos. Espero que gostem e que possam ajudá-los de alguma forma.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
PRIMAVERA
1. Roxo
Nada é maior que o teu silêncio
A prata da lua
A água corrente
A ferrugem que amadurece a tarde
As pétalas pintadas
Os olhos molhados
As tantas escadas
Que dão para o sem-fim
Nada é maior que o teu silêncio.
2. Violeta
Borboletas espremidas
Entre o casulo e o voo
Despertam asas sutis
Tua frágil pupila espanta-se
Pela asa,
Pelo voo,
Pela cor.
3. Lilás
Os tênues fios lunares
Fiam tecidos etéreos:
A nudez da mulher ausente
Um riso dentro do beijo
O perfume, não a rosa.
4. Azul
Entre planície e nuvem
Vagueiam os teus enganos
Antes abstrato horizonte
A sopés que te encubram
O vento, a lua, a vida.
Nada é maior que o teu silêncio
A prata da lua
A água corrente
A ferrugem que amadurece a tarde
As pétalas pintadas
Os olhos molhados
As tantas escadas
Que dão para o sem-fim
Nada é maior que o teu silêncio.
2. Violeta
Borboletas espremidas
Entre o casulo e o voo
Despertam asas sutis
Tua frágil pupila espanta-se
Pela asa,
Pelo voo,
Pela cor.
3. Lilás
Os tênues fios lunares
Fiam tecidos etéreos:
A nudez da mulher ausente
Um riso dentro do beijo
O perfume, não a rosa.
4. Azul
Entre planície e nuvem
Vagueiam os teus enganos
Antes abstrato horizonte
A sopés que te encubram
O vento, a lua, a vida.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
ORAÇÃO DE SETEMBRO
Cantamos vossa glória, Deus da vida. Cantam os séculos por vós, Senhor da verdade, da bondade e da paciência. A vossa Palavra é proposta de paz, não aquela fundada sobre a conveniência, sobre o egoísmo, sobre a injustiça... mas paz verdadeira. Ajuda-nos a ter olhos que vejam em profundidade e a compreender que até as tarefas rotineiras são executadas com mais paciência quando feitas a partir do conhecimento de vós e do vosso mandamento. A força para trabalhar cresce, quando vos pedimos que nos dê hoje a coragem que necessitamos. As tentações que brotam dos afazeres diários são vencidas pela busca de vós. As decisões concernentes ao nosso trabalho tornam-se mais fáceis e mais leves quando tomadas diante da vossa face, ó Deus, e não no temor de seres humanos. Amém.