Cansamos de ouvir esta frase: "Eu gostaria de rezar mais, de fazer trabalhos comunitários, de ler e aprofundar-me na compreensão da Bíblia... mas não encontro tempo, de jeito nenhum".
No fundo, no fundo - todos sabemos -, tempo é uma questão de preferência, de disciplina, de motivação interior. Quando queremos alguma coisa, de verdade, encontramos tempo, o espaço necessário.
Inquieto, nervoso, agitado, inseguro, apressado, este é o homem moderno. Correndo contra o relógio: compras a fazer, contas a pagar. O colégio, a farmácia, o supermercado, as visitas que chegam, o telefone que toca, os compromissos sociais. E ainda a paróquia, o círculo bíblico, a reunião comunitária. Um amigo doente, lá no hospital. O aniversário da melhor amiga. Aquela eterna angústia demolidora de falta de tempo, de tarefas demasiadas, e os nervos à flor da pele...
Num século em que o tempo escasseia, algumas pessoas - de tão desacostumadas - já nem sabem mais o que fazer com as poucas migalhas de tempo que lhes restam. Desistem, já não defendem seu tempo. Encharcam-se, então, de banalidades televisivas, navegam na Internet, conversam fiado, o dia todo, madrugada adentro. Com um copo de uísque por perto. E o rádio a todo o volume... para espantar a solidão, o tédio existencial.
Quando nos falta tempo e motivação para o essencial... adeus silêncio orante, adeus reabastecimento psicológico, espiritual!
Não é à toa que os santos, poetas e artistas profundos escasseiam nos dias atuais, marcados por publicidade e agitação. Nas searas materialistas do neoliberalismo, da sociedade de consumo, a santidade e a inspiração criativa não encontram raízes para crescer e frutificar.
Preciso encontrar e defender meu tempo, Senhor,
para mergulhar, em profundidade,
nas águas benfeitoras do silêncio,
da prece, da reflexão.
No chão estéril da superficialidade,
na febre da pressa, da correria,
não cresce a virtude, a santidade,
e morrem, de asfixia,
as flores da poesia,
a paz, a fé, a serenidade,
a esperança, o dom da alegria, o sorriso, a libertação.
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